Cidade do Vaticano (RV) - No nosso espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar no programa de hoje sobre a "Atualização do Mistério Pascal em cada Liturgia".

 Esta quarta-feira damos prosseguimento ao tema iniciado na edição anterior, ou seja, a renovação litúrgica trazida pela Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, a constituição pilar de toda a valorização e renovação dos sacramentos e, no centro disto, a Páscoa, a vigília pascal por excelência e a Eucarista, como Mistério Pascal.

No programa passado, comentamos a primeira das três palavras retiradas do número 03 da Lumen Gentium para explicar a atualização do Mistério Pascal na Liturgia: sacrifício. O Padre Gerson Schmidt enfatizou  em sua reflexão o sentido da celebração Eucarística, que é muito mais um "sacrificiumlaudis", um louvor e uma rica ação de graças pela vitória de Cristo sobre a morte.

No programa de hoje, o sacerdote incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre, nos apresenta as outras duas palavras-chaves para compreendermos a atualização do Mistério Pascal em cada liturgia:

"A Constituição Dogmática Lumen Gentium, no número 03, diz com clareza essa atualização da liturgia em nossa história e vida pessoal e comunitária: “todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pela qual Cristo, nossa páscoa, foi imolado, atualiza-se a obra da nossa redenção”(LG  03). Comentamos anteriormente o termo sacrifício, que deve ser entendido como o grande e único sacrifício de Cristo, feito uma vez por todas no altar da cruz. Não somos nós que nos sacrificamos. É Jesus Cristo unicamente que se doa inteiramente por nós. Segundo comentário desse texto que lemos de Lumen Gentium.

O texto afirma que Cristo é nossa Páscoa. Essa expressão da LG 03 é belíssima, tirado da primeira carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 5,7-8). Vamos a fonte pela bíblia de Jerusalém. O texto da Primeira Carta de são Paulo aos Coríntios diz assim: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães não fermentados de pureza e de verdade”.

Nesse texto vemos claro que Cristo não foi imolado para si mesmo, mas para ser nossa Páscoa. Por isso, num terceiro aspecto a comentar desse texto da Lumen Gentium, que é o caráter da atualização do Mistério Pascal em nossas vidas. Cristo se torna a Páscoa de nossas mortes constantes. Repetimos o texto de LG: “todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pela qual Cristo, nossa páscoa, foi imolado, atualiza-se a obra da nossa redenção” (LG  03). Atualiza-se o mistério da cruz, imolado uma vez por todas, agora para nossa salvação e redenção hoje de nossa história.

Na Missa, atualiza-se o mistério agora para nós, que celebramos o Mistério Pascal em nossas vidas, em nossa história, em nossa realidade concreta. O mistério de amor de Cristo assim se perpetua pelos séculos, em todas e em cada celebração eucarística que se realiza no decorrer da história".

RV/ Cultura FM