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Vaticano

A juventude no centro do olhar da Igreja Católica: 1 ano para o Sínodo dos jovens

A juventude no centro do olhar da Igreja Católica: 1 ano para o Sínodo dos jovens

Em outubro de 2018, ou seja, daqui a 1 ano, a juventude no mundo será assunto da XV Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, com o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Cardeais, bispos, padres, leigos e leigas estarão reunidos, no Vaticano, em Roma, para preparação do documento com as novas diretrizes para evangelização da juventude no mundo. O sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo que se juntam a peritos e outros convidados, com a tarefa ajudar o papa no governo da Igreja. Para que esse movimento ocorra, em janeiro deste ano, o Francisco deu início ao processo de preparação com a fase de consulta, etapa em que o povo de Deus pôde enviar contribuições e respostas ao questionário disponibilizado pela Santa Sé. Esse prazo se encerrou em julho e todas as contribuições e respostas foram compiladas e serão enviadas à Secretária Geral do Sínodo. Este processo levará à redação do instrumento de trabalho para a assembleia sinodal. Para o bispo da diocese de Imperatriz (MA) e presidente da comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Vilson Basso, esse sínodo é um tempo de esperança pois a juventude foi colocada no centro da igreja. “É um momento de escutar a voz, o clamor, o grito e as esperanças da juventude. É preciso ter coragem, ou seja, fazer um exercício para escutar a juventude de dentro e fora da Igreja”, destaca. Por meio de um documento, o Vaticano questionou a juventude com a finalidade de acompanhar os jovens em seu caminho existencial rumo à maturidade, para que, por meio de um processo de discernimento, “possam descobrir seu projeto de vida e realizá-lo com alegria, abrindo-se ao encontro com Deus e com os homens, participando ativamente da edificação da Igreja e da sociedade”. O documento preparatório propôs uma reflexão em três partes. A primeira sobre as dinâmicas sociais e culturais. Na sequência, uma abordagem do “discernimento” como instrumento que a Igreja oferece aos mais novos para a descoberta da sua vocação. Por fim, são colocados em relevo os elementos fundamentais da pastoral juvenil vocacional. Para dom Vilson, a expectativa é que a Igreja abra espaço para que os jovens encontrem novos caminhos e novas maneiras de acompanhamento e evangelização da juventude. “ Tendo escutado os jovens, a expectativa é que surjam novas ideias, propostas e caminhos para a evangelização da juventude na realidade de século XXI”, ressaltou o bispo. Reprodução twitter/synod2018 Os preparativos para o Sínodo dos Bispos de 2018, podem ser acompanhados no portal do Sínodo na internet: youth.synod2018.vae também pelas redes sociais. Foi criado o perfil “Synod2018” no Facebook, no Twitter e no Instagram para que os jovens possam interagir por meio da “#Synod2018”. No último dia 4 de outubro, o papa anunciou um encontro mundial de jovens em preparação ao Sínodo de 2018. A reunião pré-sinodal convocada pela Secretaria Geral do Sínodo será de 19 a 24 de março do ano que vem e estão convidados jovens de diferentes partes do mundo: jovens católicos e jovens de diversas confissões cristãs e de outras religiões; também jovens não crentes. “Esta iniciativa se insere no caminho de preparação para a próxima Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, que será sobre o tema ‘Os jovens, a fé e o discernimento vocacional’ em outubro de 2018. Com tal caminho, a Igreja quer colocar-se à escuta da voz, da sensibilidade, da fé e também das dúvidas e críticas dos jovens. Por isso, as conclusões da Reunião de março serão transmitidas aos Padres Sinodais”, disse o Papa. Em uma nota divulgada na ocasião, a Secretaria Geral do Sínodo afirmou que esta iniciativa permitirá aos jovens exprimir suas expectativas e desejos, bem como suas incertezas e preocupações nas complexas situações do mundo de hoje. O fruto dos trabalhos da Reunião será oferecido aos Padre Sinodais, junto com outra documentação, para favorecer a sua reflexão e aprofundamento.
MEMÓRIA HISTÓRICA: Renovação litúrgica: Vinde Senhor Jesus!

MEMÓRIA HISTÓRICA: Renovação litúrgica: Vinde Senhor Jesus!

Cidade do Vaticano (RV) – No nosso espaço Memória Histórica, 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos  continuar a falar no programa de hoje sobre a renovação litúrgica trazida pelo Concílio.  Temos refletido neste nosso espaço sobre a renovação da liturgia eucarística a partir da aclamação pós-conciliar introduzida na liturgia depois da consagração. Nos programas anteriores, comentamos as frases: “Eis o mistério de nossa fé!”, “ Anunciamos, Senhor, a vossa morte!”,  e “Proclamamos a vossa ressurreição!”. No programa de hoje, o sacerdote incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre, Padre Gerson Schmidt  - que tem nos acompanhado neste percurso - nos traz uma reflexão sobre o quarto e último ponto: “Vinde Senhor Jesus!”: “Estamos aqui refletindo a renovação da liturgia eucarística, a partir da aclamação pós-conciliar que foi introduzida na liturgia depois da consagração: “Eis o mistério de nossa fé! Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus”. Comentamos cada frase dessa aclamação, faltando ainda a última frase: Vinde, Senhor Jesus. Há um termo que é utilizado na Escritura para esse apelo litúrgico que fazemos: Maranatha (do original em hebraico מרנא תא, maranâ tâ, "vem, Senhor!"). O termo é a composição de duas palavras, que transliteradas dão origem à palavra Maranatha e que significa "O Senhor vem!" ou ainda "Nosso Senhor vem!". Maranatha é uma expressão aramaica que ocorre duas vezes na Bíblia. Primeiramente empregada pelo apóstolo Paulo na Primeira Epístola aos Coríntios capítulo 16 versículo 22 : “Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema. Maranatha”. A palavra parece ter sido usada como uma "senha" entre os cristãos da igreja primitiva, e provavelmente foi neste sentido usada pelo Apóstolo Paulo.  No desfecho do livro do Apocalipse, a mesma expressão é utilizada como uma oração ou pedido, na língua grega, e traduzida por: “Vem, Senhor”. Maranatha, - Vem, Senhor, Jesus – aqui é incluído na liturgia nessa aclamação que estamos comentando aqui nesse espaço. É nesse sentido de súplica, de um pedido ardente, que é utilizado na liturgia – manifestando a presença do Senhor na Ceia e suplicando o seu retorno na Parusia. Na época do Velho Testamento, o Rei viajava para fazer justiça. Um arauto (Mensageiro do Rei) ia adiante dele tocando a trombeta e advertindo o povo: O Rei está vindo, Maranatha!. Aqueles que esperavam por justiça desejavam a vinda do Rei. O povo da terra a ser visitada preparava-se para sua chegada limpava e reparava os caminhos, demonstrando assim obediência e desejo de agradar ao Rei.  A palavra Maranatha era também utilizada nos cultos, na Igreja primitiva, para invocar a presença do Senhor na Ceia. Era usada ainda para expressar o desejo de seu retorno para estabelecer seu Reino. Equivale ao pedido feito pela Igreja na oração dominical: “Venha o teu Reino”. Com relação à volta do Senhor Jesus, “Maranatha” tinha um duplo sentido: era uma oração — “Vem, Senhor” — e uma expressão de fé — “O Senhor está voltando!”. A frase pode ter sido usado como saudação entre os primeiros cristãos, e é possivelmente desta maneira que ele foi usado pelo apóstolo Paulo. Apontamos já na última oportunidade que na frase anterior “proclamamos a vossa ressurreição” está implícito, nessa resposta da assembleia, um dever do kerigma, do anúncio do Cristo Ressuscitado dos mortos. Não podemos pedir, em seguida, que Ele volte sem a nossa pronta atitude de levar essa notícia a todos os povos, proclamando a Ressurreição a toda a criatura. É como um imperativo - O Senhor não virá antes do que o Evangelho seja proclamado, a toda a criatura. A Eucaristia é sacramento do Reino o qual ainda não se realizou plenamente e que ultrapassa toda imaginação e expectativa. Não é um reino simplesmente humano, social e político. Mas é um reino universal, transcendental, não pura obra humana, embora perpasse por ela. Deus em tudo e em todos (1 Cor 15,28). O Reino que pedimos que aconteça não é deste mundo. Por isso, em cada liturgia, antecipamos a eucaristia celeste, que é celebrada no céu. Aqui, em figuras, já prefiguramos a ação de graças escatológica que será celebrada eternamente no Reino vindouro. Como diz a Constituição Sacrossanctum Concilium, n.08: “Na liturgia da terra nós participamos, saboreando-a já, da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual nos encaminhamos como peregrinos”(SC,08)”.  RV/ Cultura FM